Perguntas e respostas: qualidade de vida

Ponto chave Por que é importante sua participação no tratamento?

A Doença Renal Crônica causa limitações que agora você terá que enfrentar.

Fazer diálise e ter uma fístula são coisas que interferem no seu dia-a-dia. Isso vai exigir algumas mudanças e cuidados.

Dependendo do seu estado de saúde, você pode voltar ao trabalho, mas só se isso não exigir muito esforço. É importante, para se sentir bem consigo mesmo, que você trabalhe ou faça algum tipo de atividade.

Se o seu médico recomendar, você também pode praticar esportes.

É muito importante você conhecer bem seu tratamento. Só assim vai saber os riscos da falta de colaboração e de cuidados consigo mesmo. Afinal, você não pode deixar toda a responsabilidade do tratamento para a equipe médica e de enfermagem e nem deve ficar totalmente dependente da família.

No máximo que você puder, seja auto-suficiente. Você é o principal responsável pelo sucesso do tratamento.

Como eu posso colaborar com o meu tratamento?

  • Siga rigorosamente as instruções dos médicos, enfermeiros e nutricionistas.
  • Compareça ao tratamento nos horários determinados.
  • Tome as medicações prescritas, inclusive a vacina para a Hepatite B.
  • Cuide do corpo, controlando o peso e a quantidade de líquidos ingeridos.
  • Faça a higiene corporal todos os dias.
  • É importante você continuar trabalhando, mesmo que em casa. Assim, vai se sentir útil e produtivo, e não doente, sozinho ou incapaz.
  • Faça aquilo de que você gosta e ocupe seu dia. Desse jeito, não sobra tempo para pensamentos ruins.
  • Não se entregue. Não se isole. Mantenha seus amigos. Você merece ter momentos de alegria.

Hoje, você leva uma vida diferente, com restrições e alguns cuidados, mas continua com suas idéias próprias, seus sentimentos e escolhas. Por isso, é capaz de optar e participar do seu tratamento.

Como minha família pode participar?

Para que o tratamento funcione, é necessária a colaboração de todas as pessoas que acompanham o paciente renal, principalmente de sua família.

Cabe à família controlar corretamente a prescrição médica tanto no que diz respeito aos medicamentos quanto à dieta que o paciente deverá fazer em casa.

A família não deve superproteger o paciente. Ele também deve-se cuidar e ser o maior responsável pelo tratamento.

Tenho muita coceira e minha cor de pele mudou depois que descobri minha doença. O que devo fazer?

O prurido (coceira) generalizado é um sinal de doença renal crônica e ocorre na maioria dos pacientes.

A pele fica mais seca, por causa da diminuição da função das glândulas sebáceas. Elas produzem menos óleo para a lubrificação da pele. Outra razão é a desidratação crônica.

A pele pode adquirir uma tonalidade amarelada e apresentar maior pigmentação (manchas escuras) em regiões expostas ao sol.
Hematomas passam a ser mais freqüentes e a espessura fica reduzida.

Alguns pacientes têm placas ou nódulos duros nas articulações maiores como cotovelo e joelhos, por causa de depósitos de cálcio na pele.

Os tratamentos da pele, para pacientes em diálise podem ser extremamente difíceis. No caso da pele seca, é bom começar com um sabonete hipoalergênico. Banhos muito quentes ou mornos devem ser evitados. Depois de secar o corpo com a toalha, aplique uma boa camada de hidratante, enquanto a pele ainda estiver úmida.

Quando se controla a pele seca, as sensações de coceira geralmente desaparecem, mas, às vezes, só ocorre alívio com o uso de drogas anti-histamínicas.

Na Doença Renal Crônica, os pacientes podem ter metade das unhas esbranquiçadas, por causa do edema crônico (inchaço).

Os pacientes que recebem transplante de rim usam medicamentos imunossupressores durante períodos longos. Essas medicações podem levar a muitas complicações de doenças de pele, como infecções por vírus (da verruga e herpes vírus) e bactérias (impetigo) e tumores de pele. Por esse motivo, todo paciente em diálise ou que está à espera de um transplante renal deve usar protetor solar e fazer um autoexame para prevenir infecções e tumores da pele.

Eu tenho dificuldades para dormir. O que provoca isso?

Alterações do sono são um problema comum entre pacientes de hemodiálise. Muitos se queixam de insônia, ou seja,  dificuldade em adormecer, para  permanecer adormecido ou sensação de sono não restaurador.

Insônia persistente é um forte fator de risco para depressão, mas também pode ser um sintoma precoce de transtornos depressivos.

A insônia pode ter graves consequências, tais como cansaço físico, energia diminuída, perda de memória, perda de produtividade, acidentes e problemas conjugais e sociais.

Muitos pacientes com doença renal crônica desenvolvem algum distúrbio do sono, algumas semanas antes de iniciarem diálise.

Esses problemas são vistos como sintomas de toxicidade urêmica, porque tendem a melhorar com o tratamento adequado de diálise.

Outro causa a ser considerada é o hiperparatiroidismo secundário. Altos níveis de Paratormônio (PTH), prurido e dor óssea, sintomas típicos da doença óssea renal, podem ser provocar distúrbios do sono. As coisas podem melhorar após tratamento bem-sucedido de hiperparatireoidismo.

A anemia também pode causar insônia. Ela pode ser corrigida com o uso de Eritropoitina e ferro.

Uma das causas mais comuns de dificuldade para iniciar o sono é a “síndrome das pernas inquietas”. Durante o repouso, o paciente sente necessidade de movimentar as pernas, que ficam muito agitadas enquanto ele dorme. Seu medico deve ser comunicado para orientar a conduta terapêutica apropriada.

O que posso fazer para melhorar a qualidade do meu sono?

Vá para a cama somente quando estiver com sono e não use o quarto para a leitura, ver televisão, comer ou trabalhar.

Se você não conseguir dormir depois de quinze a vinte minutos na cama, deve-se levantar e ir para outra sala.

Evite exposição à luz intensa, como assistir à televisão.

Volte para a cama somente quando estiver com sono. O objetivo é restabelecer a conexão psicológica entre a cama e o dormir, em vez do quarto e insônia.

Você deve sair da cama na mesma hora todos os dias, independentemente da quantidade de sono durante a noite.

Se as medidas acima mencionadas não levarem à melhora do sono, um especialista deve avaliar a presença de transtornos de ansiedade e depressão. Especialmente em pacientes de hemodiálise, há uma alta prevalência de transtornos depressivos, que não são facilmente detectados. Ansiedade e depressão podem ser tratadas e a qualidade do sono pode melhorar.

A diálise e a doença renal interferem com a minha vida sexual?

  • Nos homens:
    Doenças crônicas podem afetar a atividade sexual. Em alguns casos, há disfunção erétil ou redução do desejo.
    A disfunção erétil ou impotência é a incapacidade de se obter ou manter uma ereção satisfatória para relações sexuais. É diferente de outros problemas sexuais como a ejaculação precoce ou a falta de desejo sexual.
    Devido à natureza pessoal do problema, muitos homens preferem sofrer em silêncio. Por isso, é difícil calcular o número exato de pacientes que sofrem de disfunção erétil.
    A impotência sexual pode ser causada por problemas como diabetes, hipertensão, a própria doença renal, doença vascular, lesão medular e esclerose múltipla. Alguns medicamentos para hipertensão arterial, depressão e ansiedade também podem afetar a ereção. Tabagismo e uso pesado de álcool vão criar problemas com as ereções ao longo do tempo.
    A disfunção erétil tem muitas soluções. Estima-se que 95 por cento de todos os pacientes podem ser tratados com sucesso, independentemente da causa do problema.
  • Nas mulheres:
    A diálise traz uma maior incidência de distúrbios do desejo e do orgasmo.
    A disfunção sexual feminina pode ser causada por problemas físicos, emocionais ou psicológicos. As causas físicas incluem alterações hormonais, anemia, fadiga, alguns medicamentos e doenças crônicas. As emocionais são estresse, baixa auto-estima, raiva pela doença, medo e imagem corporal pobre.
    Existem tratamentos disponíveis para cada um desses problemas. É muito importante que o paciente discuta suas preocupações com seu médico para juntos buscarem a melhor solução.

 Para mais informações, agende sua consulta com um nefrologista.